Para começar este programa de residência do espaço cultural Área Criativa, convidamos o professor e artista Alexandre Sequeira, cujo os trabalhos são desenvolvidos em colaboração. O trabalho desenvolvido durante a residência se deu em forma de uma oficina com duração de uma semana e envolveu crianças e adolescentes de diferentes bairros da cidade. A oficina se desenvolveu na Área Criativa que se localiza no bairro Planalto e no CEDEDICA Vale, uma importante ONG parceira, que está localizado no Centro da cidade. A circulação entre os dois bairros, algo que a princípio nos pareceu simples pelo tamanho da cidade, cerca de 23 mil habitantes, se mostrou como algo mais complexo.

Quando o grupo de participantes se forma, fica evidente uma questão comum em vária cidades brasileiras, que é uma espécie de divisão e uma dificuldade de integração entre “centro” e “periferia”. As barreiras invisíveis são reais e exigem um esforço para ultrapassá-las. Durante a oficina ficou claro que os adolescentes e jovens que vivem no Centro tem mais facilidade para circular pela cidade. O que é diferentes da realidade vivida pelas crianças e adolescentes do Planalto, um bairro periférico, que parecem estar mais restritas ao seu entorno. Certamente isso ocorre por muitos motivos diferentes, mas é possível observar que os adolescentes e jovens que vivem no centro são bem recebidos no bairro dito de periferia, e as crianças e adolescentes da periferia não são tratadas da mesma forma no centro da cidade. Esta simples observação pode nos dar pistas da dificuldade de se criar espaços comuns para o encontro de crianças e jovens da cidade.

A proposta feita pelo Alexandre, teve como titulo “A fotografia como estratégia de encontro” que lançou mão da fotografia como vetor capaz de promover plataformas de convívio entre os participantes da oficina. Esta proposta fomenta um ambiente favorável ao encontro das diferenças e isso se tornou uma das principais questões trabalhadas com os adolescentes envolvidos.

Ao final do processo, produziu-se uma série fotográfica que registrou a ação de projetar imagens das crianças e adolescentes moradores do bairro Planalto nas fachadas das casas históricas do Centro e o registro da projeção das imagens dos adolescentes que vivem no Centro na fachada das casas do Planalto. Para fazer este intercâmbio simbólico foi necessário primeiro criar situações de encontros reais entre os meninos e meninas dos diferentes bairros da cidade. O processo de produção das imagens e os encontros se tronaram um espaços lúdico de convívio, interações e trocas que pouco a pouco foram borrando os limites entre centro e periferia.